Para o mês terei o momento de completar mais um ano de vida, ao todo, terei 58 tempos anuais vividos na face do orbe terrestre. Você sempre hesita um pouco antes de declarar a sua idade, é engraçado isso, não gostamos de envelhecer, gostamos da eternidade presa num determinado momento das nossas vidas, o que é, diga-se, en passant, impossível, mesmo sendo desejado e sonhado.
Não sei se velho ou jovem demais para deixar de acreditar em certas coisas e querer viver outras. Mas viver o que? É o que me pergunto todo dia, o que podemos esperar desde mundo egoísta, individualista, solitário, consumista, que está grávido de outro? Alguém poderia gritar, não espere do mundo, espera de você.
Verdade! Preciso esperar de mim, por isso escrevo, não espero que alguém me leia ou até mesmo que goste do que escrevo, mas escrevo por uma necessidade de falar a mim mesmo do lugar de onde estou agora nesse momento. Como se gravasse num linha do tempo através de crônicas o que penso e o que sinto para que um dia, quando não mais lembranças tenham a me consumir, possa ainda ter as linhas, as escritas, para me redescobrir.
O tempo não impede você de sonhar, nem a idade, mas te oferta algo melhor, o sorriso simples e desprovido de quaisquer outras coisas, como raiva, orgulho, vaidade, sofrimento, dor, angústia. Não tenho mais sonhos, desejos ou vontades de um dia tive quando jovem, de amor, de sucesso, de poder, confesso, em verdade, que vez por outra sofro com a ideia da solidão, mas me conformo quando penso em outras pessoas que a viveram antes de mim e outras que irão continuar vivendo solitárias por um ideal maior, aliás, todo ideal é solitário, mas isso é tema de um outro momento.
Gosto de envelhecer por me saber, me conhecer, por ter esse pequeno, e quase impossível, controle sobre si mesmo. Mas hoje já sei dizer não, já sei silenciar, já sei olhar antes de falar e pensar antes de agir, não sempre, mas em alguns momentos, temos e tem-se um avanço humano, penso aqui comigo mesmo.
São tempos difíceis esses que vivemos, quando as pessoas estão mais preocupadas com animais do que com pessoas, quando a banalização do sexo, do amor, dos sentimentos nos torna mais ásperos e frios, quando nos preocupamos mais com o que aparentamos do que com o que sentimos, são tempos sombrios e severos.
E estamos vivos….

Nenhum comentário:
Postar um comentário