terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Saudades da minha terra.

Juazeirinho! Saudades da minha terra, dos meus amigos de infância, da infância que poucos hoje vão viver, aliam, não vimem mais. Cada dia uma nova brincadeira, esconder, bila, infinca, coruja, o jogo de bola de meia, futebol no campo da Saelpa onde o gol era marcado pelos chinelos ou pedras, do Estádio Euclides trajano, cercado de aveloz, onde nas tardes de domingo se tornava em grande local divertimento dos jovens e dos adultos.

Existia época do ano para tudo: esconde-esconde, barra bandeira, patinete, carinho de lata feito com Renildo de Zé Braz, com pneus de restos de sandálias havaianas, pescaria na ponte e no açude da rua, nadar no açude da barra, pula da varanda, que festa, pegar passarinho, atirar de baleeira, ouvir rádio na calçada da igreja matriz. Saudades!   
 
Ruas iguais á Rua Getúlio Vargas, pensam que não existia. Era a única que tinha crianças brincando todos os dias, brincava no meio da rua, corria de bicicleta alugada a Dantinha.  As árvores da praça, onde subíamos brincando de toca recordo das noites frias. Hoje não existem mais árvores frondosas na praça, os velhos pés de figo foram barbaramente assassinados em nome do progresso, alguns substituídos pela maléfica algaroba,  que suga a pouca umidade da terra, destruindo tudo á sua volta.

Sou agradecido por ter amigos como: Galego de Zé Trajano (Galeguinho), Renildo e Renaldo ( que já se mudou pro andar de cima) de Zé Braz, Ernani de Zé Zacarias (Mercado Garcia em Campina Grande) Nego Toca, Agenor, da Banda da Escola Cenecista, do couro de bode para da som aos surdos e taróis da nossa pobre e humilde bandinha, humilhada pelo nylon do Severino Marinheiro, de Naldo (Pé de Galo), Peixotinho e Zezinho de Tiago, dos filhos de dona Terezinha de Ubaldo, todos, inclusive o menorzinho Zé Carreta Zé Carlos e Batistinha de Jaime  André, dos amigos da Escola de dona Zéfita (Zominha, Dedeu  de Antônio André, João de Braz, Nilson de Pitisco), Renildo era o melhor amigo, em quem meu pai confiava, já Galego era o mais próximo, e desculpem se esqueci dos outros amigos.  

Amigos que ajudaram a roubar muito juá do pé de Juazeiro que havia no açude da rua, que fizeram minha mãe e meu pai dar castigo varias vezes e foram grandes companheiros da infância.
Sem falar dos irmãos, Gilberto e Júnior, de próxima idade. Gilberto era o sonso, o que titia chamava de gato branco, (dar o bote e esconde a unha), Júnior, o capeta não aguentava minhas brincadeiras e de vez em quando me dava umas porradas, claro que focava clado, não era bonito apanhar do irmão mais novo. 

Não tinha televisor e assistia por vezes, algumas coisas, na janela de Pedro de Arlindo, quando as “meninas” permitiam. Uma delas depois se tornou minha esposa e companheira com quem divido a vida há 28 anos. Não havia videogame, lan house, e outras tecnologias, mais olhando para trás, passando o filme da vida, vejo claramente, que a nossa maneira, éramos muitos felizes, não sabíamos de nada, mas sem querer, acreditávamos na vida, na alegria, na simplicidade e na firme vontade de vencer todas as dificuldades que a vida apresentasse.

Grupo Escolar Marechal Almeida Barreto, onde continuei os estudos iniciados com Dona Zefita, anda por cima do muro era perigoso e brincadeira que desafiava o equilíbrio, ia escondido de papai. Apenas de pensar, lembro-me do sino tocando para o recreio, lancheira não tinha e não levava, faltava tudo, não tinha merenda gratuita na escola.

Saudades do São João, das quadrilhas da escola, do clube de Jovens Decolores, do casamento matuto, do catecismo, das fogueiras na frente das casas, Encontros de Jovens, etc. Neste momento vieram imagens como: desfile de sete de setembro, raspando couro de bode para os instrumentos na casa de Toca; gincanas entre turmas (turma da pesada); canto do Hino Nacional; o grupo de jovens formado por titia Beatriz e dona Madalena, do meu tabuleiro de confeitos onde vendia nas praças, no campo e na rua, meio que usava para ganhar um dinheirinho e ajudar em casa.

Lembram quando a luz ia embora? Alias, bastava chover e lá se ia a luz da cidade. Todos corriam para as ruas com suas velas e lanternas, quem as possuía, sentar na calçada e colocar a conversa em dia. As ruas ficavam lotadas e a meninada brincando de esconder, rindo com as piadas, brincando de barra bandeira. E para tomar banho sem eletricidade? Não tinha nem chuveiro nem Água encanada. 

Lembro que minha mãe esquentava água no fogão e depois ia ao banheiro com um caneco e um balde de água, para assim eu tomar meu banho em meio daquela escuridão iluminada por uma única vela sobre a caixinha de fosforo ou pires da xicara de café.

Personagens das Ruas de Juazeirinho: Amélia Bandeira, Bacia, Louro Doido, e outros que a memoria não me traz agora. Sim, Maria Brechita! Saudades delas e dos seus palavrões que usava para xingar a meninada que a insultava. Quem não lembra da carroça de boi da prefeitura que fazia a coleta de lixo, dos pães de seu Agripino, do leite de Terezinha Gouveia e dona Juvina. O pão e o leite eras deixados na janela e ninguém furtava. O pagamento era mensal. Fim de semana era sagrado ir á missa, seja na sábado ou no domingo, se não fosse era castigo na certa.

Sábado era também dia de sair e dar uma volta na praça, vender os confeitos e chocolates. Praça! Saudades da antiga praça, muitos bancos e os dois corações. Ali muitos amores começaram e terminaram. Rua do xerém, (Quintino Bocaiúva), onde passa os desfiles e as passeatas da politica, onde Toca e Agenor iniciavam os dobrados, um no trombone, outro no Pistom.  

E o Motta!!! Jovens tardes de domingo na matinê. Velhos tempos, belos dias, dona Quininha fiscalizando os casais e os namoros, o velho Primo da radiola de disco tocando a discoteque, depois a musica lenta onde os casais dançavam abraçadinhos. Quem nunca dançou no Motta na nossa geração? Aquele lugar nem mais existe, mas proporcionou momentos felizes de muitos de nós.

O grande amigo Onofre, Edmílson de Supriana, Zé de Cazuza, eita tempo bom! Cada vez que vou a Juazeirinho fico assustado com a nova juventude. Crianças já não brincam mais, nascem com a infância perdida, tempos modernos onde os jovens só se divertem á custa de muita bebida, som ás alturas, musica que ninguém sabe a letra, empinando motos pelas ruas, se autoflagelando e ceifando jovens vidas ainda ao alvorecer.  

Que bom ter o que lembrar! Saudades de minha terra, de um tempo que não volta mais, mas mesmo assim nos traz grandes recordações.

Por José Neto Freire Rangel

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